A fome nos Estados Unidos e o combate à insegurança alimentar no Brasil: Um contraste de realidade

Por: Isabela Diniz

A fome é um fenômeno global que atravessa continentes e expõe desigualdades profundas, inclusive em países considerados economicamente poderosos.

Enquanto o Brasil registra avanços recentes no enfrentamento da insegurança alimentar, os Estados Unidos vivem um cenário preocupante, com milhões de habitantes sem garantia de acesso regular a alimentos. A comparação entre os dois países mostra como diferentes modelos de políticas públicas impactam diretamente a vida das populações mais vulneráveis.

A crise alimentar nos EUA e o papel limitado do SNAP

Em 2025, estimativas apontaram que 47 milhões de pessoas nos Estados Unidos vivem hoje sem a certeza de que terão o que comer no dia seguinte. O número, equivalente a quase um em cada sete norte-americanos, revela que a fome também assombra países ricos e expõe fragilidades profundas na proteção social.

Grande parte dessa população depende do SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar), que é o principal programa de assistência alimentar dos EUA. Embora essencial, o benefício enfrenta críticas: o valor repassado costuma ser insuficiente para cobrir um mês inteiro de alimentação, especialmente em um país onde o custo de vida e de moradia é elevado. Em períodos de paralisação do governo, quando verbas e serviços essenciais são temporariamente interrompidos, a situação se agrava e relatos de famílias com geladeiras vazias se multiplicam.

Relatórios recentes também indicam que a insegurança alimentar aumentou nos últimos anos, acompanhando inflação, estagnação salarial e altos custos básicos.

Dessa forma, mesmo famílias empregadas têm dificuldade em garantir todas as refeições, revelando um cenário de vulnerabilidade contínua.

O Brasil fora do Mapa da Fome e a reestruturação do Bolsa Família

No caminho oposto, o Brasil apresentou avanços significativos no combate à fome entre 2023 e 2025. Segundo dados da FAO, o país voltou a sair do Mapa da Fome, indicador internacional que classifica nações de acordo com seus níveis de subalimentação.

Esse avanço é atribuído a um conjunto de políticas públicas, entre elas a ampliação de programas sociais, investimentos em agricultura familiar e o fortalecimento da alimentação escolar. No centro desse processo está o Bolsa Família, que hoje atende milhões de famílias distribuídas por todas as regiões, funcionando como um amortecedor contra a pobreza extrema.

Estudos recentes mostram que o número de pessoas vivendo insegurança alimentar grave caiu de maneira significativa, especialmente entre 2022 e 2024. O país ainda enfrenta desafios importantes, como desigualdades regionais fortes e pobreza persistente, mas recuperou terreno perdido e voltou a apresentar redução consistente da fome.

Duas realidades, dois modelos A análise comparativa entre Brasil e Estados Unidos evidencia contrastes marcantes:
1. Nos EUA, apesar de possuir um dos maiores programas de assistência alimentar do mundo, a fome cresce e atinge dezenas de milhões de pessoas.

2. No Brasil, políticas integradas de transferência de renda, alimentação escolar e incentivo à produção local contribuíram para a redução da insegurança alimentar.

3. A experiência brasileira reforça que políticas sociais articuladas são mais eficazes do que benefícios isolados.

4. A realidade norte-americana mostra que crescimento econômico não se traduz automaticamente em justiça social ou segurança alimentar.

Ambos os países enfrentam desafios, mas os resultados recentes indicam que estratégias abrangentes têm potencial maior para reduzir a fome de forma sustentável.

A fome, independentemente do país, é um problema social profundamente ligado à desigualdade, à má distribuição de renda e ao acesso a serviços básicos. A comparação entre Brasil e Estados Unidos revela que a segurança alimentar não depende apenas do tamanho da economia, mas da prioridade que governos dão a
políticas públicas de proteção social.

No fim das contas, números como “47 milhões de pessoas” vão muito além da estatística: representam vidas marcadas pela escassez, incerteza e limitações diárias. E reforçam que, tanto no Norte quanto no Sul global, combater a fome exige ação constante, integrada e comprometida.

Fonte: Organização das Nações Unidas – FAO; Forbes; Ministério da Saúde.

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