Varejo de vizinhança cresce em faturamento, mas consumo recua e exige estratégias mais precisas

O desempenho do varejo alimentar em 2025 reforça uma tendência já observada ao longo dos últimos meses: crescimento sustentado pelo aumento de preços, combinado à retração no consumo em volume. De acordo com dados do Radar Scanntech, o Varejo de Vizinhança (lojas com 1 a 9 checkouts) encerrou o ano com alta de +5,3% no faturamento, enquanto as unidades vendidas recuaram -1,5%.

Esse resultado foi diretamente impactado pelo aumento do preço médio por unidade (+6,6%), ao mesmo tempo em que o fluxo de consumidores nas lojas apresentou queda de -2,5%. O cenário evidencia um consumidor mais cauteloso, que compra menos vezes, mas de forma mais planejada.

Na comparação com o varejo alimentar total, que registrou crescimento de +4,1% em faturamento e retração de -2,1% em volume, o Varejo de Vizinhança demonstrou maior resiliência, com desempenho superior tanto em valor quanto em menor queda de consumo.

A análise por cestas, por sua vez, mostra que o impacto no consumo foi concentrado principalmente em Mercearia, Alcoólicas e Mercearia Básica, responsáveis por mais de 93% da retração em unidades ao longo do ano. Dentro desse grupo, categorias como chocolate e biscoitos se destacaram negativamente, refletindo a redução de compras por impulso.

Por outro lado, a cesta de Perecíveis foi a única a registrar crescimento mais consistente em volume (+1,4%), além de liderar o avanço em faturamento, sendo responsável por mais de 62% do resultado positivo do setor.

Esse movimento reforça a priorização de itens essenciais pelo consumidor, em detrimento de categorias ligadas à indulgência.

No recorte regional, todas as regiões do país registraram retração nas unidades vendidas, com destaque negativo para o Centro-Oeste, que apresentou a queda mais acentuada. Em contrapartida, sob a ótica de faturamento, Nordeste e o grupo sudestino RJ/ES/MG lideraram o crescimento, indicando diferentes dinâmicas de consumo e pressão de preços entre os mercados.

Quarto trimestre intensifica desaceleração

Os dados do Radar Scanntech mostram que a desaceleração se intensificou no último trimestre de 2025. O período foi marcado por queda mais acentuada nas unidades vendidas, puxada principalmente pela redução no fluxo em loja (-9,1%).

Ao mesmo tempo, o aumento de preços foi mais moderado (+3,9%), o que limitou o crescimento do faturamento e evidenciou um consumidor ainda mais sensível às condições econômicas.

Dezembro, em especial, consolidou-se como o mês mais desafiador do ano, combinando o menor repasse de preços (+3%) com a maior retração em volume (-4,6%).

Datas comemorativas reforçam importância do planejamento

As sazonalidades seguiram desempenhando papel estratégico ao longo do ano, ainda que com mudanças importantes no comportamento de consumo.

Na Black Friday 2025, o varejo registrou crescimento de +2% no faturamento, mesmo com queda nas unidades vendidas, evidenciando o impacto do aumento de preços (+5%). Categorias como café (+26,7%), refrigerantes e eletrodomésticos lideraram o avanço, enquanto itens básicos como arroz (-29,3%), leite e feijão pressionaram negativamente o desempenho.

Já no período de Natal, o faturamento apresentou leve alta de +0,5%, apesar da queda de -2,4% nas unidades vendidas. O resultado foi sustentado principalmente por categorias como bebidas não alcoólicas e frutas, que também cresceram em volume.

No Dia das Mães 2025, o comportamento foi semelhante: crescimento expressivo de faturamento (+12,1% no total varejo), novamente impulsionado pelo aumento de preços, enquanto as unidades vendidas apresentaram retração. A cesta de alimentos foi o principal motor de crescimento, com destaque para itens ligados ao consumo em casa, como carnes e produtos para churrasco.

Avaliação dos dados mostra desafios

O conjunto de dados evidencia um varejo alimentar mais desafiador, com crescimento cada vez mais dependente de preço e menor expansão do consumo real. O consumidor segue mais seletivo, reduzindo volume e priorizando categorias essenciais.

Nesse contexto, ganha ainda mais importância a capacidade de leitura de dados, ajuste de sortimento e planejamento antecipado especialmente em datas sazonais, que seguem sendo oportunidades relevantes de alavancagem de resultados.

O que o documento mostra é que as empresas que conseguirem equilibrar eficiência operacional, estratégia comercial e entendimento do comportamento do consumidor terão maior capacidade de adaptação em um ambiente cada vez mais competitivo.

O relatório completo com todos os dados, incluindo detalhes sobre o último trimestre de 2025, podem ser obtidos AQUI. 

Fonte: Abad

Compartilhe