Autora: Isabela Diniz
O diabetes mellitus, doença crônica caracterizada pela elevação dos níveis de glicose no sangue, continua a ser uma das principais causas de morte evitável no mundo. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), mais de 530 milhões de pessoas vivem com a condição atualmente — número que deve ultrapassar 780 milhões até 2045, se medidas preventivas eficazes não forem tomadas. No Brasil, estima-se que cerca de 16,8 milhões de adultos convivam com a doença, colocando o país entre os cinco com maior número de diabéticos.
Diante desse cenário alarmante, uma importante mudança foi implementada por entidades de saúde nos últimos anos: a redução da idade recomendada para o rastreamento do diabetes tipo 2. Antes indicado a partir dos 45 anos, o exame agora é recomendado para todos os adultos a partir dos 35 anos, mesmo na ausência de sintomas ou fatores de risco.
Por que antecipar o rastreamento?
A decisão de adiantar o rastreamento baseia-se em uma série de estudos que demonstraram um aumento significativo no número de casos em pessoas mais jovens, muitas vezes sem diagnóstico. O diabetes tipo 2, que representa cerca de 90% dos casos, pode se desenvolver de forma silenciosa por anos antes de apresentar sintomas evidentes. Durante esse tempo, o excesso de glicose pode danificar órgãos como coração, rins, olhos e nervos.
Segundo o Ministério da Saúde, mais da metade dos brasileiros com diabetes desconhece que tem a doença. A antecipação do diagnóstico é crucial para evitar complicações severas, como insuficiência renal, cegueira, amputações e eventos cardiovasculares.
“A recomendação atual é que todos os adultos com 35 anos ou mais façam exames de glicemia de jejum ou hemoglobina glicada pelo menos a cada três anos. Se houver fatores de risco — como obesidade, histórico familiar ou sedentarismo — o rastreamento deve começar ainda mais cedo”, explica a endocrinologista Ana Paula Freitas, do Hospital das Clínicas da USP.
Entendendo os tipos de diabetes
O diabetes é dividido em três tipos principais:
Tipo 1: geralmente diagnosticado na infância ou adolescência, é uma doença autoimune em que o organismo ataca as células produtoras de insulina. Representa cerca de 5 a 10% dos casos.• Tipo 2: relacionado a fatores genéticos e ao estilo de vida, como alimentação inadequada e falta de atividade física. É mais comum em adultos, mas vem aumentando entre os jovens.
Gestacional: ocorre durante a gravidez e, embora temporário, aumenta o risco de desenvolvimento do tipo 2 após o parto.
Sinais de alerta
Apesar de ser frequentemente assintomático no início, o diabetes pode apresentar sintomas como:
– Sede excessiva e boca seca
– Urinar com frequência
– Fome exagerada
– Perda de peso inexplicada
– Visão embaçada
– Cansaço constante
– Infecções recorrentes
Ao notar esses sinais, é fundamental procurar orientação médica imediatamente.
Tratamento e qualidade de vida
O controle do diabetes envolve mudanças significativas no estilo de vida.
Alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, controle do peso e abandono do tabagismo são medidas essenciais. Em muitos casos, o uso de medicamentos orais ou insulina também é necessário.
Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível viver com qualidade e evitar complicações. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece exames gratuitos, além de distribuir insumos como insulina e glicosímetros para os pacientes cadastrados.
“A adesão ao tratamento é o principal desafio. Muitos pacientes abandonam o acompanhamento médico quando os sintomas desaparecem, mas o diabetes é uma condição crônica e exige atenção contínua”, alerta a médica Ana Paula.
Prevenção
Embora o tipo 1 não possa ser prevenido, o tipo 2 — responsável pela maior parte dos casos — pode ser evitado ou adiado. A adoção de hábitos saudáveis desde a juventude tem impacto direto na saúde metabólica. Redução no consumo de açúcar e ultraprocessados, aumento da ingestão de fibras e frutas, prática regular de exercícios e controle do estresse são atitudes que fazem diferença.
Além disso, campanhas de conscientização em escolas, empresas e comunidades são fundamentais para ampliar o conhecimento sobre a doença. O mês de novembro, marcado pelo Dia Mundial do Diabetes (14/11), é um momento simbólico importante, mas a prevenção deve ser constante.
Conclusão
O aumento expressivo dos casos de diabetes, especialmente entre adultos jovens, exige uma mudança de postura tanto da população quanto dos sistemas de saúde.
A nova diretriz que antecipa o rastreamento para os 35 anos é uma oportunidade de agir mais cedo e salvar vidas.
Mais do que combater a doença, é preciso fomentar uma cultura de prevenção e cuidado contínuo. O diabetes pode ser silencioso, mas com informação, vigilância e ações integradas, o barulho das suas consequências pode ser evitado.
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes e Ministério da Saúde
