Câncer de intestino em jovens: o preocupante aumento e como preveni-lo

Autor(a): Isabela Diniz

O câncer de intestino, ou câncer colorretal, historicamente associado a pessoas acima de 50 anos, tem apresentado uma tendência preocupante: o aumento expressivo de casos em adultos mais jovens. Segundo estudos epidemiológicos recentes, a incidência dessa neoplasia em indivíduos com menos de 50 anos cresceu em diversos países, incluindo o Brasil. Essa mudança no perfil etário desafia os sistemas de saúde e levanta questionamentos sobre os fatores que estão impulsionando essa tendência.

O que está causando o aumento?

Pesquisas indicam que a combinação de fatores ambientais, genéticos e comportamentais desempenha um papel crucial nesse fenômeno. Entre os principais fatores estão:
1. Mudanças nos hábitos alimentares: O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras saturadas, açúcar e conservantes, é apontado como um dos principais vilões. Dietas pobres em fibras e com baixo consumo de frutas, verduras e cereais integrais também estão associadas ao maior risco de desenvolvimento do câncer colorretal.

2. Sedentarismo e obesidade: A falta de atividades físicas regulares e o aumento dos índices de obesidade em populações mais jovens contribuem para a inflamação crônica e alteram o metabolismo, aumentando a susceptibilidade ao câncer.

3. Fatores genéticos e hereditários: Para jovens diagnosticados com câncer de intestino, é comum identificar históricos familiares da doença ou síndromes genéticas, como a polipose adenomatosa familiar e a síndrome de Lynch.

4. Microbiota intestinal: Alterações no equilíbrio das bactérias intestinais causadas por dietas inadequadas, uso excessivo de antibióticos e outros fatores ambientais também têm sido relacionadas ao aumento do risco.

5. Diagnóstico tardio: Jovens geralmente não fazem parte de programas de rastreamento, como colonoscopias regulares. Além disso, a subestimação de sintomas por parte dos próprios pacientes e, muitas vezes, dos profissionais de saúde, pode atrasar o diagnóstico, permitindo que o câncer avance para estágios mais graves.

Como prevenir o câncer de intestino?

A prevenção do câncer de intestino em jovens exige a adoção de medidas voltadas para a promoção de hábitos saudáveis e a conscientização sobre a doença. Aqui estão as principais recomendações:
1. Manutenção de uma dieta equilibrada: Optar por uma alimentação rica em fibras, frutas, vegetais e grãos integrais. Reduzir o consumo de carnes processadas, como salsichas e embutidos, e moderar o consumo de carnes vermelhas.

2. Prática regular de exercícios físicos: A atividade física regular não apenas ajuda na manutenção do peso saudável, mas também reduz os níveis de inflamação e melhora a saúde metabólica.

3. Evitar o consumo excessivo de álcool e tabaco: Ambas as substâncias estão associadas ao aumento do risco de diversos tipos de câncer, incluindo o colorretal.

4. Conhecer o histórico familiar: Pessoas com histórico de câncer de intestino na família devem procurar aconselhamento genético e, se necessário, iniciar o rastreamento precoce com exames como colonoscopia.

5. Atenção aos sintomas: Sinais como sangramentos retais, alterações no padrão intestinal, dor abdominal persistente, perda de peso inexplicada e fadiga devem ser investigados imediatamente, independentemente da idade.

A importância da conscientização e do rastreamento A conscientização sobre o câncer de intestino e suas manifestações é essencial para que os jovens procurem ajuda médica ao primeiro sinal de alerta. Apesar de as diretrizes de rastreamento tradicionalmente indicarem a colonoscopia a partir dos 50 anos, países como os Estados Unidos já recomendaram a redução dessa idade para 45 anos, justamente devido ao aumento dos casos em adultos mais jovens. Essa medida deve ser discutida e adaptada à realidade brasileira.

Por fim, a luta contra o aumento do câncer de intestino em jovens requer um esforço coletivo. Governos, profissionais de saúde e a sociedade precisam trabalhar juntos para promover a prevenção, o diagnóstico precoce e a mudança nos hábitos de vida que estão impulsionando essa tendência. Pequenas escolhas no dia a dia podem fazer uma diferença
significativa na saúde intestinal e na qualidade de vida das futuras gerações.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS), Sociedade Americana de Câncer, Instituto Nacional de Câncer.

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