Sindicato do Comércio Atacadista no Estado de Goiás
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Obras do BRT na Rua 90 - Transtornos e Benefícios

É muito comum se ler em estabelecimentos em reforma a famosa frase: “Estamos em reforma para melhor atendê-los”. No meio público fizeram-se famosos os dizeres: “Os transtornos se vão, os benefícios ficam”. Mas o que ocorre com as obras do BRT no Setor Sul está invertendo o sentido das justificativas.

O caos se forma a partir dos transtornos que insistem em ficar. Quanto aos benefícios... sabe lá quando virão.

Existe um princípio do Direito Administrativo que pavimenta a obrigação do Poder Público em garantir continuidade na prestação de serviços públicos. Significa que tais serviços não podem, em hipótese alguma, serem interrompidos.

Mas na iniciativa privada, especialmente no setor de comércio, a sustentabilidade não se garante por lei. O mercado não perdoa e não garante continuidade de nenhum empreendimento. O empreendedor do comércio só se garante por estratégias e insistência no foco principal de sua atividade: vender.

As vendas, por sua ordem, dependem de uma série de fatores de atração do público alvo, captação e fidelização de clientes. E nessa equação a localização física da empresa é um dos principais fatores. Pode-se ter um péssimo empresário que tenha sucesso exclusivamente por sua posição geográfica. Mas não se vê normalmente um bom empresário vencer as barreiras do espaço, em péssima localização. Para isso existem estudos prévios de mercado para fixar localização de um novo empreendimento.

Pois bem. O que ocorre com as empresas sediadas em locais onde o Poder Público promove obras é a perda repentina de um dos fatores de maior importância para a sustentabilidade dos negócios, ou seja, a vantagem geográfica, seu local de sucesso.

Os empreendimentos sediados na Rua 90 no Setor Sul, na região das obras do BRT, se veem agora nessa situação. A Avenida está deserta. Campanhas promocionais e de marketing são realizadas pelas empresas locais para garantir a continuidade dos negócios, contudo, a clientela não se arrisca em atender aos chamados, preferindo comprar em regiões onde o acesso é mais facilitado e menos arriscado.

Barreiras de concreto, redes de bloqueio de tráfego, trechos sem asfalto, repletos de buracos, escombros por toda parte, desvios confusos, calçadas desfeitas, postes sendo removidos, máquinas pesadas, muito barulho, poeira, lama, pouca sinalização, fios e cabos de energia, telefone, internet e todo tipo de transmissão soltos, às vezes frouxos na altura de um adulto. Tudo isso mete medo.

Muitos empreendimentos fecharam suas portas e os que lutam para vencer o período de transtorno, vivem diariamente com interrupção de fornecimento de serviços públicos e privados. Um dia sem energia, outro sem internet, outro sem telefone. Às vezes sem nenhum deles.

O que se vive hoje na Rua 90, no Setor Sul, devido às obras que prometem benefícios a longo prazo, é o caos presente e muito mais transtorno em curto e médio prazo.

Que os benefícios suplantem os transtornos, pelo menos para os que sobreviverem ao caos.

Paulo Diniz
Presidente